Retenção de dados Google Ads virou uma prioridade para quem depende de histórico diário, semanal e horário para analisar campanhas. A partir de 1º de junho de 2026, o Google Ads passará a limitar parte dos dados de relatório por granularidade, e quem não se preparar pode perder acesso a recortes antigos usados em auditoria, sazonalidade e comparação de performance.
Retenção de dados Google Ads: o que muda em junho de 2026
A documentação oficial do Google Ads informa que, a partir de 1º de junho de 2026, dados de relatórios em granularidade menor que mensal — como horário, diário e semanal — ficarão disponíveis por 37 meses. Depois desse período, não poderão ser acessados pela interface do Google Ads nem pelas APIs.
Já dados mensais, trimestrais e anuais terão uma janela maior: 11 anos. Existe ainda uma exceção importante: métricas de alcance e frequência ficam disponíveis por apenas 3 anos.
Isso afeta principalmente contas que usam histórico longo para comparar sazonalidade, fazer auditoria de mudanças, reconstruir decisões ou alimentar dashboards externos.
| Tipo de dado | Disponibilidade anunciada | Risco prático |
|---|---|---|
| Relatórios horários, diários e semanais | 37 meses | Perda de análises finas de sazonalidade e otimização |
| Relatórios mensais, trimestrais e anuais | 11 anos | Menor detalhe, mas ainda útil para visão executiva |
| Alcance e frequência | 3 anos | Comparações antigas de frequência podem sumir |
Quem precisa agir primeiro
Nem toda conta precisa entrar em modo pânico. Uma loja local com campanhas recentes talvez quase não sinta. Mas algumas operações dependem muito de dados antigos e granulares.
- Gestores de tráfego com muitos clientes: histórico diário ajuda a explicar decisões e defender otimizações.
- E-commerces com sazonalidade forte: datas como Black Friday, Dia das Mães e Natal exigem comparação por dia, semana e às vezes horário.
- Empresas B2B com ciclo longo: mudanças pequenas no CPL ou na qualidade de lead podem levar meses para aparecer.
- Times com BI próprio: dashboards em Looker Studio, BigQuery ou planilhas podem depender de extrações antigas.
- Contas com auditoria recorrente: histórico ajuda a separar erro de configuração, mudança de mercado e alteração de estratégia.
Checklist para salvar histórico antes do prazo
O melhor momento para organizar isso é antes da regra entrar em vigor. Não espere precisar de uma análise antiga para descobrir que o dado já não está acessível.
- Liste as contas críticas. Priorize contas com maior investimento, histórico longo ou sazonalidade forte.
- Defina granularidades necessárias. Diário costuma ser o mínimo. Horário só vale para contas em que dayparting, atendimento ou pico de demanda importam.
- Exporte métricas essenciais. Inclua custo, impressões, cliques, conversões, valor de conversão, CPA, ROAS, CPC, CTR e taxa de conversão.
- Inclua dimensões úteis. Campanha, grupo de anúncios, rede, dispositivo, local, conversão, palavra-chave ou termo de pesquisa quando aplicável.
- Salve metadados. Nome de campanha muda. IDs ajudam a conectar histórico com dados futuros.
- Documente a origem. Registre data da extração, conta, fuso horário, janela analisada e filtros aplicados.
- Automatize o próximo ciclo. Se a conta é importante, crie rotina mensal de exportação para evitar correria de novo.
Quais dados exportar primeiro
Se você tem pouco tempo, não tente salvar tudo. Salve o que provavelmente será usado em decisão, auditoria e aprendizado. Relatório gigantesco demais vira um cemitério de CSV.
| Prioridade | Relatório | Por que salvar |
|---|---|---|
| Alta | Campanha por dia | Base para comparação de performance e orçamento |
| Alta | Conversões por dia | Ajuda a interpretar CPA, ROAS e qualidade |
| Média | Dispositivo e local | Mostra mudanças de mix e orçamento |
| Média | Termos de pesquisa | Útil para auditoria, negativas e intenção |
| Situacional | Hora do dia | Importante para atendimento, leads e picos de compra |
Como isso conversa com tráfego pago e BI
Para gestão de tráfego, histórico não é nostalgia. Ele serve para responder perguntas que aparecem quando algo dá errado: “o CPA subiu porque a campanha piorou ou porque maio sempre é ruim?”, “essa queda começou depois da troca de lance?”, “a conta já performou bem nesse tipo de produto?”.
Sem dados diários antigos, a análise fica mais grossa. Você ainda pode ver dados mensais por mais tempo, mas perde nuances. Em contas grandes, uma semana ruim dentro de um mês bom pode desaparecer na média.
Se você usa dashboards, vale revisar conectores e pipelines. Alguns relatórios puxam dados sob demanda da API. Se o dado sair da janela de retenção, o dashboard pode continuar bonito, mas sem conseguir reconstruir períodos antigos.
Se você gerencia mídia paga, mantenha este guia junto do guia definitivo de Google Ads. Para evitar problemas operacionais na conta, veja também como lidar com conta suspensa no Google Ads.
Plano prático de 30 minutos para hoje
Se você só tem meia hora, faça o básico bem feito. Abra a conta mais importante, escolha os últimos 48 meses e exporte um relatório diário por campanha com custo, cliques, impressões, conversões e valor de conversão. Depois salve uma cópia em pasta compartilhada com nome padronizado.
O segundo passo é criar uma planilha de controle com três colunas simples: conta, período exportado e responsável. Parece burocrático, mas evita o erro clássico de achar que alguém já fez o backup. Em contas de cliente, registre também se o arquivo contém dados sensíveis e quem pode acessar.
Não espere o relatório perfeito. Primeiro garanta o histórico mínimo. Depois você melhora granularidade, adiciona termos de pesquisa, segmentações e automações.
Fontes oficiais e limites da recomendação
A referência principal é a página oficial Google Ads Data Retention Policy, que descreve as janelas de disponibilidade. O Google também publicou o aviso no Ads Developer Blog.
Esta recomendação não substitui orientação jurídica ou de compliance. Se sua empresa tem políticas específicas de retenção, privacidade ou auditoria, alinhe o plano com jurídico, segurança e dados antes de exportar grandes volumes.
Perguntas frequentes
O Google Ads vai apagar meus dados antigos?
A documentação fala em indisponibilidade de dados de relatório após a janela de retenção, tanto na interface quanto nas APIs. Para o usuário, o efeito prático é não conseguir acessar esses recortes antigos pelo Google Ads.
Dados mensais também entram no limite de 37 meses?
Não segundo a documentação atual. Dados mensais, trimestrais e anuais ficam disponíveis por 11 anos. O limite de 37 meses vale para dados horários, diários e semanais de períodos menores que um mês.
Preciso exportar dados de todas as contas?
Não necessariamente. Priorize contas com investimento alto, histórico longo, sazonalidade relevante ou exigência de auditoria. Exportar tudo sem critério aumenta custo e bagunça.
Qual formato é melhor para backup?
Para começar, CSV organizado já resolve. Para operações maiores, BigQuery ou outro data warehouse facilita consulta, automação e governança.
Conclusão
A nova política de retenção de dados Google Ads não muda a gestão diária amanhã, mas muda a forma como times sérios devem tratar histórico. Quem usa dados antigos para auditoria, sazonalidade e BI precisa agir antes de junho de 2026.
Comece simples: priorize contas críticas, exporte campanha por dia, salve conversões e documente tudo. O valor do histórico só aparece quando você precisa explicar uma decisão difícil.
Quer mais checklists práticos de tráfego pago? Inscreva-se na newsletter do Tráfego e receba os próximos guias.
